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ABC do Autismo


Historial do autismo

Os primeiros casos foram diagnosticados na década de 1940 nos Estados Unidos da América - mas já existem autistas há milhares de anos.

Desde aí, a percentagem crianças diagnosticadas com autismo tem vindo sempre a aumentar.

O autismo não depende da raça, cultura, estado social, rendimento familiar, estilo de vida, nível educacional...

O autismo está distribuido por todo o planeta.

O que é o autismo?

O autismo é um distúrbio que se manifesta como um comportamento anormal. Normalmente, consiste numa concentração mórbida do indíviduo sobre si mesmo. Basicamente, isso reflete-se num distúrbio da comunicação e das relações sociais.

O autismo não é uma doença; é um conjunto de sintomas derivado duma anomalia cerebral que pode ter origem em várias coisas: malformação do feto, herança genética, várias doenças, acidentes cerebrais, etc.

Portanto, os autistas são deficientes mentais.

Esta deficiência pode ser temporária ou permanente. O autista pode evoluir repentinamente ou lentamente durante toda a sua vida.

A gravidade da situação pode ser absoluta ou tão ligeira que passe despercebida.

Crianças com autismo não são crianças mal comportadas que não querem portar-se bem - elas simplesmente não conseguem comportar-se normalmente.

Vejamos uma comparação anedótica:

Tal como um paralítico de pernas parece uma pessoa normal porque tem pernas, alguns autistas também parecem pessoas normais porque têm um corpo normal e inteligência aparentemente normal. Assim, eles sofrem porque são marginalizados pela sociedade e, por isso, tentam portar-se bem mas não conseguem. Portanto, os autistas não devem ser punidos pelo seu comportamento porque não conseguem comportar-se normalmente. Isto não deve interpretado como desculpa para se comportar mal; os autistas devem tentar superar a sua deficiência e tentar comportar-se cada vez melhor mas, é inútil pensar que eles vão fazer o que nós mandamos.

No passado, era comum os autistas passarem por "maus", rebeldes, mimados, etc., e não serem reconhecidos como doentes. Nessa altura, a solução mais popular era retirar o aluno da escola e mandá-lo trabalhar para ganhar o seu sustento. Isto era um desperdício porque muitos autistas têm um raciocínio superior à média. No entanto, há muitos autistas que têm cursos universitários e são incapazes de trabalhar num emprego normal. Normalmente, estes autistas simplesmente são desempregados ou, então, constroem um negócio onde eles são os patrões - para evitar o conflito social com o patrão.


Anatomia do autismo

A crença popular diz que o Homem é um animal racional. Mas, por razões de evolução, o Homem é um animal emocional porque as suas decisões são tomadas pelas suas emoções. Embora o raciocínio tenha vindo a evoluir ao longo da história humana, as pessoas só tomam decisões racionais quando as emoções estão calmas. Se uma pessoa está exaltada, as suas emoções não deixam ouvir a voz da razão.

Para compreendermos melhor o que se passa, vejamos um diagrama funcional do cérebro.


Figura: As funções do cérebro

Baseado em "Personoids" um estudo computacional de 1997 sobre seres emocionais artificiais (Universidade do Minho, Portugal) obtemos apenas 3 tipos principais de autismo. Nas pessoas, o comportamento é determinado pelas EMOÇÕES. Sem emoções as pessoas não apresentam comportamento - ou podem apresentar um comportamento bizarro. Mais especificamente, as emoções dividem-se em duas secções: dôr e prazer. Então, o comportamento é um processo dinâmico que tenta aumentar o prazer e diminuir a dôr. Nos autistas, este processo não funciona bem. Temos então três grupos principais de autistas:

Tipo

Problema

Sintoma

Evolução

Olhar

Estátua Dôr e prazer desactivados Não há comportamento ou faz gestos repetitivos. Desenvolvimento estagnado até começarem a surgir emoções. Ignora o contacto visual
Audacioso Dôr desactivada Apenas procura o prazer. Está sempre bem disposto. Não chora. Não aprende com os estímulos negativos, o que o torna irresponsável, etc. Normalmente não aprende a falar. Desenvolvimento estagnado até começarem a surgir emoções negativas tal como a timidez, o choro, etc. Tem um olhar penetrante e intimidante
Tímido Prazer desactivado Apenas procura evitar a dôr. Aparenta timidez excessiva. Mesmo que saiba falar, tem receio de falar. Desenvolvimento limitado até começarem a surgir emoções positivas tal como a vontade de se divertir (brincar), etc. Evita o contacto visual

Além destes três casos, existem os casos intermédios, dependendo da severidade com que as ligações cerebrais foram afectadas. A diversidade dos sintomas depende do nível de funcionamento do cérebro e da personalidade que o autista criou interagindo com o meio ambiente. Se de alguma maneira se conseguir com que as ligações cerebrais enveredem por um funcionamento normal, então, a personalidade do autista aproximar-se-á duma pessoa normal.


Eis algumas diferenças entre o tipo Audacioso e o tipo Tímido:

Audacioso

Tímido

Comportamento não afectado com o reforço negativo (castigo). São inúteis as ameaças verbais e os castigos corporais. Comportamento não afectado com o reforço positivo (recompensa). São inúteis os incentivos verbais e as recompensas materiais (brinquedos, guloseimas).
Está sempre activo e a explorar tudo. Consegue brincar durante horas com qualquer objecto. Está sempre passivo. Prefere ficar o dia todo na cama a chupar no dedo, etc.
Como não aprende com os erros, a aprendizagem é praticamente nula. (prática sem teoria) A aprendizagem é limitada porque não põe os seus conhecimentos em prática - assim, não corrige alguns erros de aprendizagem. (teoria sem prática)
Não aprende a falar. Sabe falar mas tem medo de falar.
etc etc




O autismo não é causado por maus pais

Os pais são muitas vezes acusados de isolar a criança até que ela se torna autista. Mas tal não corresponde à verdade - os autistas podem ser incapazes de reagir à ternura ou à brincadeira. Para uma criança normal se tornar autista teria que viver completamente isolada do contacto humano (ver o filme "O Menino Selvagem" / "L'Enfant Sauvage").

Actualmente, como muitas famílias têm apenas um filho, os pais são aconselhados a ter outro filho para ajudar a curar o filho autista. Embora tal ideia faça sentido, pode ter um resultado inesperado: como o autismo pode ser um problema genético, o irmão também pode nascer autista.


Como se trata o autismo?

Embora exista pesquisa para muitas variedades de autismo, as curas ainda são escassas.

A maior parte dos casos são ligeiros e o cérebro consegue auto-reparar-se.

O papel dos psicólogos

Os psicólogos desempenham um papel importante no desenvolvimento do autista:

1 - Diagnóstico do autismo. Aos 2 anos de idade tornam-se evidentes os sintomas do autismo. Os testes emocionais podem identificar um autista muito antes. Não esquecer que o autismo não é uma doença e sim um sintoma. Logo que seja diagnosticado o autismo, devem ser feitas análises clínicas para tentar identificar a doença. Cada vez é mais provável identificar a doença e cada vez haverá mais curas disponíveis.
2 - Psicoterapia. Terapia para domesticar o comportamento na ausência de emoções e terapia para acelerar o desenvolvimento psicológico quando as emoções começam a surgir.
3 - Apoio psicológico às famílias. Pode ser traumático saber que o filho é um autista com 2 anos de idade e depois ter que esperar anos até a criança começar a mostrar desenvolvimento emocional.



Prognóstico

Os autistas são todos diferentes e alguns distúrbios podem durar toda a vida:

- Dificuldades emocionais - dificuldade em exprimir as próprias emoções ou em compreender as emoções dos outros
- Dificuldades sociais - dificuldade em integrar-se ou compreender actividades sociais (mesmo jogos sociais simples como o futebol)
- Dificuldade em tomar decisões - sobre assuntos relacionados com emoções ou relações sociais

Alguns comportamentos típicos na idade adulta:

- Comportamento fundamentalmente racional e relações sociais indiferentes ou agressivas.
- Comportamento instável devido a emoções exageradas - só tratáveis com medicamentos ou cirurgia devido a tratar-se dum problema físico do cérebro.

Se o autismo for severo, o autista nunca conseguirá governar-se a si próprio e precisará de apoio toda a vida.

Se o autismo for ligeiro o autista poderá superar uma pessoa normal:

- Um autista Tímido pode usar a sua superior capacidade de concentração abstracta em algo útil à sociedade.

- Um autista Audacioso pode revelar-se um grande explorador, etc.

Recapitulando, as pessoas normais preferem uma vida com bastante convivio social; por outro lado, os autistas não gostam de vida social devido à sua timidez excessiva ou devido à sensação de aborrecimento num convívio com pouca acção ou baixo nível intelectual.

Atenção: mesmo os autistas com boa recuperação têm que ser vigiados. É comum que surjam problemas na adolescência em autistas aparentemente recuperados. Um autista audacioso pode tornar-se violento e pode precisar de medicamentos calmantes. Um autista tímido pode isolar-se da sociedade e pode precisar de medicamentos anti-stress.


Conclusão

Neste momento, é muito difícil prever o desenvolvimento dum autista. Tudo o que se pode fazer é comparar casos com sintomas semelhantes.

O desenvolvimento depende de:

- Tipo de doença que provocou o autismo
- Gravidade com que o cérebro foi afectado
- Capacidade de reparação do organismo.

Quanto mais grave é o autismo mais raro é. A maior parte dos casos de autismo são ligeiros - a maior parte nem são detectados.

Actualmente, o procedimento mais popular é a psicoterapia e deixar o organismo tentar auto-reparar-se - o que resulta razoavelmente na maior parte dos casos, visto que são casos ligeiros.

No geral, o estado do autista vai melhorando com o passar do tempo - por vezes com saltos depois dum periodo de estagnação psicológica - o melhor a fazer é ter esperança. Esperança na natureza e na evolução da medicina.


Epílogo filosófico

Por que é que existem autistas? Quando conseguiremos eliminar este problema?

A diversidade é a solução da Natureza para a evolução - quanto maior a diversidade, maior a probabilidade de evolução. Os indivíduos médios sustêm a estrutura da sociedade e os indivíduos originais contribuem com novas sugestões de evolução.

Na prática, alguns indivíduos nascem exageradamente originais e não trazem nenhuma contribuição para a sociedade - na verdade, revelam-se incapazes de se governarem a si mesmos e são um fardo para a sociedade.

Dentro deste grupo de pessoas originais podemos encontrar os desiquilibrados emocionais conhecidos como autistas. Podemos encontrar muitos exemplos ao longo da história: muitos heróis da história foram autistas - as pessoas médias tendem a passar despercebidas. Assim, os autistas tímidos deixaram realizações intelectuais ao longo da história e, os autistas audaciosos, deixaram explorações geográficas, revoluções, etc.

Como este problema é uma manifestação das leis da Natureza, torna-se difícil de eliminar. No entanto, é evidente que a ciência começará a eliminar os casos mais graves no futuro próximo. Reparar o cérebro é dos problemas mais difíceis da medicina - mas não é impossível...

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escrito em: 13-09-2004